Artes Plásticas

Tarsila do Amaral: a representação artística dos assentamentos irregulares
O problema das favelas e ocupação de morros e áreas de risco foi inspiração de inúmeros artistas brasileiros.
Tarsila representou de forma inigualável o início de uma certa "decadência" que envolveu as grandes cidades brasileiras. O tema também foi imortalizado por artistas como Pixinguinha, e Morro da Favella, de 1917, e por Vinícuis de Moraes em "O morro não tem vez" e Orfeu de Conceição.
A peça, que associa Orfeu, o músico grego, ao carioca da Conceição, o músico do morro, escrita por Vinícius, manifesta de forma explícita a defesa cultural dos valores das comunidades do Rio de Janeiro. A associação da etnia às favelas e ao samba permanece ainda hoje no nosso imaginário de modo muito semelhante ao que ele concebeu. A criação e a produção de Orfeu da Conceição, encenada por atores negros, marcaram um episódio notável na biografia de Vinicius. O próprio poeta descreveu como nasceu a ideia da peça, quando se sentiu "particularmente impregnado pelo espírito da raça", quando guiava um amigo, o escritor americano Waldo Frank, em visita à favela da Praia.

Tarsila do Amaral

"A pobreza das casas amontoadas, umas retas, outras curvas, tentando não desabar, e a gente simples, em cenário que inclui roupas dependuradas, árvores e bichos. Mas a favela aparece em visão festiva, leve, e a face negativa da miséria não é suficientemente problematizada a ponto de se constituir como marco de um drama social que exige mudanças drásticas, como acontecerá na década seguinte." Gotlib, N. 2000, p. 92.

"A favela era um fenômeno urbanístico novo no Rio de Janeiro, pressionado pela abolição da escravatura e pelas migrações. Gustavo dall'Ara, que registrou o processo de modernização da cidade, fez as primeiras imagens de uma favela no Morro do Castelo e a pintou em A Ronda à favela (1913), com a repressão policial. Em 1918, Pixinguinha gravou o maxixe Morro da Favela. Favela era um morro em Canudos, que Euclides da Cunha menciona em Os Sertões, nome dado a um morro do Rio, ocupado por barracos da população marginalizada. Não há drama social no Morro da Favela da cordial Tarsila, mas apenas a pintura 'cândida e ágil' do programa da Poesia pau-brasil." Herkenhoff, Paulo. As Duas e única Tarsila. In: Herkenhoff, P.; Hedel-Samson, B. 2005, p. 88.

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